Tem uma cena no filme A lista de Schindler que mostra uma família judia no gueto de Varsóvia duarnte a invasão das tropas alemãs. A família aparentemente pobre percebe as tropas e tira da parede(?!) uma caixinha com jóias e diamantes (?!?!) e enrola em pão para engolir (?!?!?!?!?).
Esse parece ser o caso do “blogger” Navarro, do Dinheirama. O indivíduo se dedica a criar artigos sobre finanças e economia pessoal. Até aí tudo bem, não tem nada de mais. O problema é o raciocínio que se induz nesse artigo e em todos os outros no blog, de que acumular dinheiro é o grande objetivo da vida, de que você deve abdicar do que te faz feliz para acumular riquezas.
Eu discordo ativamente que o dinheiro (e o capital) deva ser qualquer coisa além de uma mercadoria intermediária pra facilitar as trocas. Discordo do mercado de bolsas, que é só um clubinho de apostadores alheios à qualquer necessidade ou função social do mercado. Discordo do sistema de investimentos bancários (se você acha injusto os juros que o banco cobra de você por que deveria achar justo ganhar juros sobre uma poupança?).
Agora, se você quiser alugar um lugar pra morar ao invés de ter um seu só por que vai ter $100.000 a mais quando estiver velho, aposentado, brocha e sem ânimo pra nada além de fotografar ums quadros na europa, eu tenho um título pra você meu caro: Avarento.
Alguém aqui já leu o “Conto de Natal” de Dickens? Um breve resumo: Scrooge é um velho rabugento e rico, que é visitado por seu antigo (e morto) amigo Marley, na véspera de natal, para lhe alertar sobre o seu estilo medíocre de vida (quem vive para acumular capital é medíocre, sem desculpas).
(Scrooge McDuck, conhecido aqui como Tio Patinhas, foi inspirado no Scrooge de Charles Dickens. Economize você também pra ter uma piscina de moedinhas pra mergulhar quando for velhinho.)
Tem certeza de que você lê o mesmo blog que eu? Não vi em nenhum momento ele mencionar que dinheiro é tudo na vida e que devemos deixar de fazer as coisas para acumular riqueza. Pelo contrário, entendi que devemos poupar e investir com inteligência para termos sempre dinheiro no bolso. Ou você é rico ou é imaturo. Se você não quer ter 100.000 quando ficar velho, vá se preparando para levar sua trouxinha de roupas para um asilo.
Relendo meu post Ana, vi que fui um pouco específico demais no Dinheirama, quando queria criticar um pensamento que vem se tornando generalizado. Mas a crítica permanece, infelizmente.
Não sou rico, imaturidade é um juízo moral da sua parte que não vem ao caso, e não pretendo viver até ter idade suficiente pra ser aceito num asilo.
Pesquiso sobre o consumo desenfreado que leva a criança a ser um adulto consulmista/compulsivo.
Desculpa, mas você é um idiota completo.
Isso, gaste toda a sua renda mensal em coisas que vão te trazer mais gastos (por exemplo, carro e compras no cartão de crédito, com aqueles juros exorbitantes…) e assim que te tirarem o emprego você não tem outra escolha a não ser se considerar falido!
Não consigo imaginar que pessoas pensam e pregam que guardar dinheiro não é uma coisa boa.
Guardar dinheiro não é sinônimo de avareza. Guardar dinheiro significa ser inteligente e precavido. Nunca se sabe o que pode acontecer e, não sei você, tendo emprego ou não as pessoas precisam sustentar suas famílias…
Comentário meio atrasado, eu sei.
Mas vamos lá!
Maikon: a idéia de torrar tudo o que se tem (e o que se não tem também) remete a outra criação do grupo Disney: o Zé Carioca, modelo de comportamento para os perdulários que nunca pensam no amanhã.
Já o Tio Patinhas, por outro lado só pensa no amanhã e, portanto, nem vive.
Acredito que a atitude inteligente é pegar os aspectos positivos de ambos: saber curtir a vida e ter uma graninha guardada para os imprevistos e complementar a renda na velhice. Por quê? Sejamos realistas… expectativa de vida
é uma medida muito vaga: você pode não chegar aos 50 anos e pode até passar dos 90.
E aí? Você vai se deixar para se dar conta, aos 50, morrendo de alguma doença grave, de que não aproveitou sua vida pois pretendia começar a vivê-la após os 60?
Ou, pior ainda, se tocar, meio segundo antes daquele caminhão destruir seu carro ou do seu coração parar depois que aquele assaltante lhe der um tiro, que não vai conseguir usar aqueles US$ 2 M acumulados?
E o outro extremo, vais precisar contar com a caridade dos outros quando, já com 85 anos, dependendo do INSS (que talvez nem exista mais), não tem grana para comprar aquele seu remedinho caro?
Ser racional é saber pesar. Guarde um pouco para o futuro, que é incerto, mas guarde! Só lembre sempre que a Visa está certa: “a vida é agora”.
Fazer toda uma ginástica financeira, apostando que o Brasil vai continuar a pagar estes 10-12% de juros ao ano, que o mercado vai melhorar, que o filho do Collor não vai confiscar seu dinheiro, para quê? Para ter 2 milhões guardados em vez de 1 milhão?
1 milhão este que você poderia ter usado para conhecer o mundo inteiro, para criar N filhos, para dar uma educação melhor aos atuais, comprar uma casinha na praia, cuidar de você… enfim, viver e ser feliz.
Tem coisas que não têm preço! Para todas as outras, use MasterCard… e, por favor, seja esperto e pague toda a fatura!!!